terça-feira, 14 de março de 2017

Ter filhos pode aumentar expectativa de vida em até dois anos, diz estudo

Filhos ajudam a construir rede de apoio amorosa com os pais – Divulgação/Free Images


Ter filhos pode significar passar noites acordado, estar em incessante preocupação e experimentar dor de cabeça ao calcular despesas. Mas é, também, uma forma de aumentar a expectativa de vida.
Segundo um estudo do Instituto Karolinska (Suécia), dedicado à medicina ambiental, os pais que têm filhos podem viver quase dois anos mais do que os homens sem filhos, enquanto as mães ganham mais 18 meses.
Os cientistas não acreditam que o efeito é biológico, e sim o resultado de uma rede de apoio amorosa que é crucial na vida adulta, quando algo tão simples como uma queda pode ser mortal.
As pessoas que têm família também costumam ser mais incentivadas por seus entes a visitarem o médico e permanecerem ativas.
Estudos anteriores afirmaram que a solidão, ou a perda de um parceiro na vida adulta, pode acelerar a morte. A pesquisa divulgada esta semana, no entanto, é o primeiro grande levantamento que mostra que as crianças têm um efeito protetor.
— O apoio de filhos adultos a pais idosos é importante para garantir a longevidade — explica Karin Modig, autora chefe do estudo. — Na idade avançada, o estresse da paternidade é menor. Os pais podem se beneficiar do apoio de seus filhos.
Para descobrir se a paternidade pode ajudar a evitar a morte entre pessoas de idade avançada, os pesquisadores estudaram os registros de quase 1,5 milhão de pessoas que nasceram em 1911, observando quando morreram e se tiveram filhos.
O risco de morte aumentou com o aumento da idade, independentemente de os indivíduos serem pais ou não.
No entanto, depois de avaliar fatores influentes, como os anos de estudo, a expectativa de vida foi maior entre pessoas que tiveram filhos.
A conclusão do levantamento contradiz estudos anteriores que sugeriam que, pelo menos para as mulheres, ter filhos pode reduzir a expectativa de vida, já que o tempo destinado à educação física é desviado para a reprodução. Em comunidades pobres, pessoas com quatro ou mais filhos viviam 3,5 anos a menos do que a média.
Mas a nova pesquisa constatou que as mães viveram em média 84,6 anos, enquanto a expectativa de vida entre mulheres sem filhos foi de 83,1 anos.
A diferença é ainda mais marcante para os pais, cuja esperança de vida é de 80,2 anos, comparado a 78,4 anos entre os homens sem filhos.

O Globo

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