quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lula diz que citar seu nome é condição para fechar acordo de delação

Depoimento Lula
FOLHAPRESS


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao juiz federal Sergio Moro que candidatos a delator citam seu nome como condição para fechar um acordo com o Ministério Público Federal.
“Ele vai fazer delação premiada e na delação a condicionante – já faz alguns meses que eu vejo pela imprensa, no caso do Leo há alguns anos – é citar o nome do Lula”, disse o ex-presidente.
“Aí, doutor, eu me desculpo com todo o respeito que eu tenho pelo seu trabalho. Esse último mês foi o mês Lula, em que a senha era Lula. Vamos chamar todo mundo. Se pudesse ressuscitar o Conde de Monte Cristo, ele viria aqui falar: foi o Lula o culpado”, disse.
Lula citou especificamente os casos de Léo Pinheiro e Renato Duque, que depuseram ao Moro e citaram o ex-presidente.
“Eu vi o depoimento do Leo. Eu conheço o Leo antes e conheço o Leo naquele depoimento. Depois um cidadão condenado a 23 anos de cadeia ser chamado para a coisa mais importante que ele tem pra falar é que o Lula sabia”, disse. “Depois de condenarem e execrarem a imagem de um pai de família que por mais errado que tenha merece respeito, como o Duque a 40 anos de cadeia e depois prometer para ele liberdade se a senha for falar: “o Lula sabia”.
Moro não gostou e rebateu o ex-presidente. “Quem prometeu liberdade ao senhor Renato Duque?, perguntou Moro. O juiz também disse que Lula estava se baseando em informações da imprensa.
“Mas eu estou vendo. Como é que não prometeu. Eu estou vendo. Isso acontece, eu estou vendo.” Em uma crítica a Moro, Lula citou uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, que mostrou como vivem os delatores Fernando Baiano, Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa. “Um cidadão passou outro dia na televisão. Um mora numa praia não sei aonde, o outro mora não sei aonde num condomínio que só tem desembargador, o outro mora num apartamento não sei da onde fumando charuto cubano com o dinheiro roubado”, disse Lula.
Moro disse que “essas pessoas foram presas por ordem do juízo”. Lula rebateu. “Foram presas, delataram e saíram para gastar parte do dinheiro. E os que estão presos agora, que estão condenados a tantos anos, se sentem no direito de falar: bom, o problema é falar o nome do Lula? Se fosse minha filha, vá lá, se fosse minha mulher… Mas do Lula? Ele nem é mais presidente. Deixa eu citar ele aqui.”, disse o ex-presidente.Moro afirmou que as considerações são equivocadas. “Ninguém dirige essas informações com esse intuito específico (de incriminar o ex-presidente)”, diz.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima classificou a declaração de Lula como uma fantasia. “Em nenhum momento o Ministério Público prometeu qualquer benefício para qualquer pessoa que não tem acordo vir falar no processo”, disse Lima.
No final, o advogado de Lula, Cristiano Zanin, citou duas reportagens da Folha para defender a tese de que candidatos a delatores são incentivados a falar de Lula.
“A defesa gostaria de fazer um registro de que o mesmo jornal Folha de S.Paulo, que foi objeto de perguntas formuladas por vossa excelência, só este jornal Folha de S.Paulo fez duas matérias com afirmação de que haveria a condicionante de que o senhor Leo Pinheiro só teria sua delação aceita se citasse o nome do ex-presidente Lula”, disse Zanin.

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