quinta-feira, 29 de junho de 2017

Marcada para esta sexta, Centrais Sindicais preveem “greve geral” com mobilização menor

A Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores, duas das três maiores centrais do país, esperam que a mobilização contra as reformas do governo Michel Temer programada para esta sexta-feira (30) seja menor do que a greve geral de 28 de abril.

Um dos motivos apontados é a baixa adesão de categorias ligadas aos transportes. Sindicatos como o dos motoristas de ônibus, que aderiram ao movimento anterior, não vão parar dessa vez.
De acordo com Ricardo Patah, presidente da UGT, central que concentra categorias ligadas aos transportes, essas entidades estariam com problemas em razão das multas que receberam após terem parado em abril.
“Nós precisamos de um movimento que não seja paralisado pelo transporte, mas que todos estejam em sinergia e paralisem. Nós precisamos conscientizar melhor os trabalhadores. Muitos ainda não sabem o que está acontecendo”, diz Patah, que é filiado ao PSD, partido da base aliada de Michel Temer.
A orientação da central é participar da mobilização, mas não parar as atividades como ocorreu em abril.
Nas duas últimas semanas, o presidente da UGT reuniu-se com Temer e o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, para defender “ajustes” na reforma trabalhista por meio de uma medida provisória.
“Temos de ser pragmáticos. Queríamos que a reforma não passasse, mas pragmaticamente, em isso acontecendo, [com as alterações] é menos pior”, afirma.
PREVIDÊNCIA
A paralisação da tramitação da reforma da Previdência na Câmara também acabou virando um problema para as centrais. Na avaliação de João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, as mudanças propostas na aposentadoria mobilizam mais os trabalhadores que a reforma da CLT.
A proposta está parada na Câmara desde maio. O governo tentava reunir apoio de três quintos dos deputados necessário para aprovação do projeto antes de colocá-lo para votação no plenário quando foi surpreendido pela delação dos donos da JBS, que deflagrou a atual crise política que atinge o Planalto.
O governo agora aguarda que a Câmara vote a denúncia contra Temer apresentada pelo Ministério Público antes dar seguimento às mudanças na Previdência.
“A mobilização do dia 30 está muito focada na reforma trabalhista, mas o que mobiliza mais gente, na nossa opinião, é a Previdência. Então ainda que haja acúmulo de forças e as questões em Brasília tenham ajudado, talvez a mobilização seja menor”, afirma Juruna, da Força.
Já a CUT, ligada ao PT, mantém o discurso de uma grande paralisação, embora também não fale em greve geral. Diferentemente das outras centrais, a entidade também pede a saída de Temer.
Folha de São Paulo

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